ZineConsciente #15

O QUE SIGNIFICA SER

UM BOM ACIONISTA?

Por Gabriela Baumgart

Muito se fala hoje em propósito, estudos mostram que quando este é aplicado ao trabalho e aos negócios tem a capacidade de tornar as pessoas mais saudáveis, felizes e produtivas impactando positivamente todo um ecossistema. Trazendo isto para as organizações, pensando nas empresas de controle familiar, será que um propósito claro e definido pode gerar impacto positivo na sociedade? Estas empresas representam um percentual muito significativo no total de empresas no mundo. Mas como será que isso acontece? Será que essas empresas podem influenciar em todo o ecossistema? A resposta é positiva.

Semana passada tivemos um fórum organizado pela comissão de empresas de controle familiar sobre este tema no IBGC - Instituto Brasileiro de Governança Corporativa com o professor Dr. Peter Tufano, reitor da Saïd Business School da Universidade de Oxford e Mary Johnstone-Louis, também pesquisadora em Oxford. Eles apresentaram os resultados da pesquisa “The Ownership Project at Oxford Saïd". Gostaria de compartilhar com vocês alguns dados relevantes desta apresentação. 

(Fonte: Aminadav et al., 2012)

Neste gráfico o professor Tufano ressaltou que não seria possível falar sobre propriedade sem falar sobre empresas familiares. Elas representam 45,7% das empresas listadas do mundo.

Os dados apresentados nos fizeram refletir sobre o que significa ser um acionista ativista hoje e no futuro. Os acionistas são únicos na forma como pensam seus negócios. Por esta razão acredito que negócios familiares precisam deixar claro seu propósito, conhecer seu impacto socioambiental, fazer com que os valores da família e de seus fundadores permeiem a organização e que os negócios deixem seu “footprint” positivo ao longo das gerações. 

O Professor Peter acredita que as empresas de controle familiar têm um papel decisivo na melhoria do bem coletivo. Compartilho deste mesmo entendimento.

É necessário investir nas novas gerações e no diálogo intergeracional, fazer com que os acionistas participem de forma diligente e informada nas empresas e em seus órgãos de governança carregando a identidade da família geração após geração, criando valor num mercado cada vez mais dinâmico e competitivo.

Nesta pesquisa, chegou-se à conclusão que as empresas que carregam um "family name", o nome da família como marca, tem melhores resultados de performance e impacto, pois carregam sua identidade de forma mais explícita. 

Preparar a nova geração é uma das prioridades para uma família empresária. Na apresentação o reitor cita que não é possível falar em legado sem citar a responsabilidade social, a empresa precisa investir na sociedade que é cliente e compradora dos seus produtos e serviços e tudo isto está ligado ao propósito. “Até que ponto os diferentes tipos de empresas estão indo além do lucro para servir as pessoas e o planeta?” questionou o Prof. Peter.

Seguindo este pensamento ele nos apresentou os indicadores de sua pesquisa, o que ele chama de ESG KPIs – ENVIRONMENT, SOCIAL AND GOVERNMENT, que foi a métrica utilizada para analisar as empresas listadas na mostra. Utilizou mais de 251 indicadores para categorizar as empresas.

Estes KPIs se dividem em 3 blocos:

Ambiental

Importância da preocupação com o planeta, redução de recursos, redução de emissões e inovação de produtos.

Social

Que envolve as condições de trabalho, qualidade do emprego, saúde e segurança, treinamento e desenvolvimento de colaboradores, diversidade, comunidade e responsabilidade.

Governança

Sua estrutura de governança e funções dos conselhos, os direitos de acionistas, as políticas de remuneração e incentivos.

Como reflexão final a pesquisa nos provoca a pensar o importante papel das empresas familiares. As famílias empresárias devem se preparar muito bem para o hoje e para o futuro de suas organizações. Para implementar seu impacto positivo frente as empresas sem controle familiar devem cuidar da sucessão, da formação das próximas gerações que estarão no controle de suas empresas, para que continuem sendo cada vez mais acionistas responsáveis, competentes e geradores de valor. Negócios com propósito são uma das principais ferramentas para gerar impacto positivo no mundo.

O professor Peter afirma ainda que as empresas familiares tem o poder e a responsabilidade de impactar positivamente os ambientes onde estão seus negócios. Devemos zelar pela perenidade e crescimento dos negócios e pela continuidade dos valores das famílias controladoras, guiando a organização para o atingimento de sua estratégia.

Pessoalmente acredito que um bom trabalho de governança familiar ajuda a família empresária a alinhar um propósito comum, fortalecendo sua união e assegurando a longevidade da organização. Isto requer da família um exercício de construção e alinhamento de valores, estabelecendo um plano de trabalho para alcançar e superar desafios, preparando os familiares para serem acionistas responsáveis e competentes e identificando os talentos em prol do desenvolvimento do grupo empresarial.

Gabriela Baumgart

Comitê Estratégia Inovação Cidade Center Norte

IBGC Coordenação do Comitê empresas familiares Embaixadora Endeavor

Planeta Terra está com vagas abertas

A vida é um milagre e cada momento que vivemos é único. É impossível não ficar pessimista se olharmos para os desafios que enfrentamos. Mas, sabe o que? É transformador mudarmos o olhar e passar a nos conectarmos com pessoas e empresas que estão na missão de transformar positivamente o espaço que atuam. Quero saber mais.

Por Vinicius Romolo

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