O CAPITALISMO CONSCIENTE NÃO ESTÁ MORTO

 

Mudanças de estratégia significam fracasso? Claro que não. Geralmente, significam que a equação para o sucesso mudou, que o cenário competitivo evoluiu e que novas habilidades e nova direção se fazem necessárias.

 

Bons líderes constantemente avaliam o que está acontecendo e se adequam ao ambiente. O mesmo é válido para o Capitalismo Consciente: O objetivo de elevar a humanidade por meio de negócios se preserva, mas as formas de atingir este objetivo mudam ao mesmo passo que o capitalismo evolui. É por este motivo que estão errados aqueles que apontam a contínua diminuição de lucros da Whole Foods ou o achatamento dos preços da Starbucks como evidências da ineficácia do Capitalismo Consciente frente às forças do mercado.

 

Ninguém pode negar que as décadas de sucesso da Whole Foods reinventaram o setor de supermercados, impactando no aumento da preocupação com o meio-ambiente e com a qualidade da alimentação. Já a Starbucks, seguindo a tradição iniciada pelo CEO Howard Schults, continua a líder na categoria de café apesar de colocar em pauta questões sociais como o controle de armas e diferenças raciais. O fato é que a disposição das empresas para atender às necessidades mais amplas de seus clientes e da sociedade é crucial se nós, como seres humanos, queremos um mundo melhor.

 

Então o que é exatamente o Capitalismo Consciente?

 

Ele é uma forma de pensar sobre o capitalismo e negócios que reflete onde estamos na jornada humana.  Ele reconhece o potencial inato dos negócios: Com sua capacidade de aproveitar recursos intelectuais, financeiros e humanos, e o poder de causar impacto positivo no mundo. Capitalistas conscientes dirigem seus negócios com um propósito maior em mente. Eles reconhecem que ao gerar valor para todos os stakeholders – clientes, colaboradores, fornecedores, e comunidade em que operam – é mais provável que tenham retorno para os sócios.

 

Este é o caso da empresa que eu criei, a Panera. Em quase três décadas, a Panera cresceu e tem 2.300 unidades, 120.000 associados, e vendas de 6 bilhões de dólares. O sucesso da Panera vem do esforço em criar uma empresa com valores. O objetivo sempre foi criar um negócio com integridade, em que os associados tivessem orgulho em fazer parte, e que fizesse a diferença na vida dos clientes e dos colaboradores. Nós sempre soubemos que quanto mais nos dedicássemos em cuidar do mundo mais sucesso teríamos em termos financeiros.

 

Ron Shaich - Fundador e presidente da Panera Bread

 

Entretanto, apesar do objetivo da Panera de fazer a diferença continuar o mesmo, as formas para alcançá-lo mudaram no decorrer dos anos. Nós tivemos que tomar decisões conscientes sobre para onde dirigir nossas energias e ativos. Algumas vezes ajudamos escolas e grupos locais, outras vezes pesquisas para cura do câncer de mama.  Ao mesmo tempo, sempre tivemos como bandeira o combate à fome, e anualmente doamos US$100 milhões em comida para mais de 3.500 abrigos para sem teto.

 

Já que alimentamos um propósito coletivo maior, atraímos clientes e novos potenciais associados. Mas não se engane, essas ações devem ser cuidadosamente planejadas antes de serem realizadas – especialmente se forem controversas.  

 

Ficamos felizes em perceber que cada vez mais empresas seguem um caminho similar, levantando a bandeira do Capitalismo Consciente e discutindo problemas sociais sérios. Essas empresas estão evoluindo em suas ações à medida que percebem que podem fazer mais. Após um incidente em que dois homens negros foram presos em uma loja na Philadelphia, o Starbucks parou suas atividades operacionais e promoveu um treinamento de viés racial. Foi um treinamento perfeito? Não. Foi a solução do racismo? Não. Foi um passo na direção certa? Sim.

 

Outros negócios deveriam refletir e tomar a frente no combate a problemas relevantes. O recente posicionamento da Dick’s Sporting Goods e do Walmart quanto ao controle de armas, e a decisão da CVS há alguns anos em não vender produtos ligados ao tabaco, são evoluções notáveis do Capitalismo Consciente.

 

Negócios que tentam resolver questões complexas deveriam ser aplaudidos. Eles também deveriam ser aplaudidos por evoluir suas estratégias na medida em que o tempo passa e que surgem novos problemas. Isso não é fracassar, é Capitalismo Consciente – negócios rentáveis com propósito maior.

 

 

Por:

Alexander McCobin - CEO do Capitalismo Consciente dos EUA

Ron Shaich - Fundador e presidente da Panera Bread

 

Tradução:

Instituto Capitalismo Consciente Brasil

 

Clique aqui para ver o texto original.

 

 

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