A prática que te desenvolve: voluntariado corporativo


por Amanda Ampessan Cavali para o Capitalismo Consciente


É natural do ser humano aspirar a ser melhor. Se você é um desses, vá atrás e aceite desafios, saia da sua zona de conforto. Você só se transforma na medida que se puxa no limite. Confronte-se com o medo e a ansiedade, tenha a sensação de risco e se pressione a pensar (e agir) diferente. Buscar o “desconforto” não é a coisa mais gostosa do mundo, a não ser que seja um hobby seu. Porque, te garanto, que de algumas pessoas é.


Quero puxar um assunto que ainda muitos reduzem a apenas caridade ou assistência social. Meu objetivo é dilatar a importância do voluntariado e convencer você que essa atividade ajuda no seu desenvolvimento pessoal e de sua empresa.


Damos dinheiro às empresas para recebermos algo em troca. Damos dinheiro às ONGs para fazerem algo a outras pessoas. O voluntariado está no meio. Um pouco de doar e outro pouco de receber. Porque é a atitude que entrega algo gratuitamente e ganha algo em troca. A diferença é que você nem sempre sabe o que vai receber. Às vezes ganha um sorriso, às vezes indignação ou frustação, às vezes uma lição ou uma transformação de vida, enfim, encontra o que busca e o que não busca.


Lido com o voluntariado a mais de 5 anos. Fazendo e criando oportunidades. Para mim é muito nítido que quando uma pessoa se envolve em alguma atividade voluntária ela vai aprender algo, ela não está apenas ajudando uma causa social a qual tem simpatia. O dar por dar é pouco, tem potencial, mas não o preenche.


No início o que te motiva normalmente é ajudar uma pessoa ou uma causa social, mas na maioria das vezes, ainda que inconscientemente, a pessoa só se mantém numa atividade voluntária quando percebe o valor que recebe em troca e o valor que quer entregar. É isso que a impulsiona a explorar e a aprender algo a mais, saber a grandeza do seu ato, saber no que aquilo te transborda.


Você acredita que o esporte, a arte, a cultura transformam vidas, criam laços entre as pessoas, assim como a gastronomia, a música, que unem até aqueles que nem a mesma língua falam? Essas são partes da vida que com certeza a tornam especial, trazem valor, criam valor, criam amizades, fortalecem amizades, tudo fazendo uso da superação, imaginação, sentimento de pertencimento, adrenalina, prazer, experiência, emoção, conexão. São comunhão de pessoas. O voluntariado também deve estar nessa lista, ele conecta diferentes.

Amanda em ação Social em asilo da região metropolitana de Curitiba.

O que quero deixar claro é que para uma pessoa fazer voluntariado, para que o torne frutífero por muito tempo, é necessário que essa atividade, ou luta que decide abraçar, esteja ligada ao seu objetivo de vida. Você pode vê-la também como uma ferramenta, um caminho para suas conquistas, para ser melhor, para ser ativa na sociedade, para ser mais humana.


O mesmo é para o ambiente corporativo, se uma empresa é feita de pessoas, são as pessoas que a definem e se ela é composta por aquelas que tem um olhar cuidadoso, atento, empático com a sociedade, consequentemente farão escolhas alinhadas a essas experiências de vida.


Saber mais sobre os benefícios do voluntariado para seu crescimento pessoal e profissional não é coisa difícil. Ao alcance das mãos, no Google, pode-se encontrar vários artigos falando sobre as soft skills – inteligência emocional, comunicação, gestão de conflitos, criatividade etc – ou sobre os ganhos de uma empresa que tem o voluntariado como valor, as pessoas se desenvolvem justamente por se colocarem em ambiente que, como citei no começo, as façam sair da zona de conforto. Você vive o que normalmente não vive no teu dia a dia, e por ser novo, consequentemente, tem que fazer escolhas novas e isso te faz pensar e agir diferente.

Amanda, em intercâmbio social no México.

O voluntariado também tem a ciência ao seu lado, estudos comprovam que o nível de stress em quem o pratica é menor. Prova simples, mas reducionista: apenas por você sorrir mais – seja porque viu cenas bonitas, engraçadas, outros sorrisos, histórias de superação, exemplo de esperança, seja porque quer levar o que pode para fazer alguém se sentir melhor – você libera endorfina e consequentemente diminui o stress.


E para fortalecer ainda mais o valor da prática no ambiente corporativo, Marcelo Nonohay, diretor da MGN – empresa de gestão de projetos para transformação social – falou que o faz com que uma empresa seja verdadeiramente referência e global é o “compromisso com as comunidades onde atua” e aliança “a causas que promovam uma verdadeira transformação social”. É o que torna a “pessoa jurídica” mais humana e isso é encontrado em empresas em que a visão a longo prazo é de transformar a sociedade e entender realmente seu papel no mundo melhor.


Acredito que, naturalmente, as empresas vão entender mais e mais o que gosto de definir como "o valor do envolvimento do seu pessoal em soluções sociais", ou simplesmente, "o valor do voluntariado". Somos seres sociáveis, interdependentes, compomos um corpo político (porque nossas escolhas afetam outros) e corporativo (porque buscamos prosperidade e desenvolvimento).


Para resolvermos, juntos, problemas que adoecem a sociedade, devemos estar ativos nela. Devemos ouvi-la para compreendê-la. Espero que seja questão de tempo.


*Amanda Ampessan Cavali é analista de Projetos na FreeHelper. Graduada em Relações Internacionais pela Unicuritiba e com MBA em Gestão de Negócios de Impacto Social na Universidade Positivo, atua com voluntariado há seis anos, com experiências de desenvolvimento de comunidades locais e com projetos internacionais no México e no Egito e hoje é líder de projeto no Youth Action Hub Brasil.



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