Tirando os "Nós" do Eu



por Graziela Merlina*


Curiosidade, paixão por aprender e conhecer gente nova são valores que sustentam algumas das minhas decisões no dia-a-dia. E por isso, tenho um alto envolvimento com leituras, cursos, eventos, grupos de estudos. Em 2018, estive num dos encontros do ULab na FGV, liderado pelo Ricardo Catto. Nesse dia, eu conheci a Fernanda Canal. E a gente não sabe explicar muito bem por que, mas rolou uma super conexão e desde então, temos nos encontrado e trocado muitas ideias.


Semana passada fui presenteada pela Fernanda, com o livro “Cabala e a arte de manutenção da carroça”, de Nilton Bonder. Fã que sou do rabino e de sua obra “Alma Imoral”, fiquei feliz e lisonjeada com o presente. Mas eu não esperava que uma obra de pouco mais de 90 páginas pudesse ao mesmo tempo me provocar e me responder a tantas coisas.


Não tenho aqui a ousadia de resumir a teia que o autor traça entre o mundo físico e nossa busca por autonomia; o mundo emocional e nossa busca pela ordem; o mundo intelectual e nossa busca por certezas; e o mundo espiritual e nossa busca por amor. Mas, coloco a minha ousadia em compartilhar reflexões que, no meu ponto de vista, convergem os ideais da Nova Economia, do Capitalismo Consciente, e da Jornada Protagonista do Eu e do Nós.



1. Estamos prontos para praticar o Ganha-Ganha Exponencial da Nova Economia?


A essência da competição é te tornar mais eficiente e não mais controlador. Quando você decide controlar para não perder, na verdade não está decidindo vencer. Você está em um verdadeiro embate consigo mesmo.


Isso me remeteu a um aprendizado que tive com os israelenses, idealizadores do FreshBiz Game, um serious game sobre Nova Economia que hoje represento no Brasil.


Ouvi deles: “Competição é um jogo para amadores. Colaboração é um jogo para empreendedores.” Onde empreender significa encontrar seu valor único e expressa-lo ao mundo – desapegar-se e ter coragem de se auto organizar para inovar. Assim todos ganham. Por outro lado, a escolha por apenas competir é a decisão de “não tirar os olhos do concorrente” para fazer um pouco melhor do que ele, a partir do melhor dele. E isso é amador.


É desse ponto de vista, que a Orientação aos Stakeholders é um dos pilares do Capitalismo Consciente. E isso inclui os competidores. Quando um competidor tem seu resultado deficitário, todo o segmento, clientes, fornecedores, funcionários e por consequência, toda sociedade perde.



2. Evolução é quando a dor de um, vira o protagonismo de muitos e transforma o Capitalismo.


Dá intenção à ação, há o inevitável e íntimo encontro com o propósito, a coragem de torná-lo público e a humildade de torná-lo coletivo.


Podemos ter excelentes caminhos e objetivos pela frente, mas o que nos mobiliza a alcançá-los é um porque; um propósito que trará sentido a uma trilha de esforços. Sem um propósito, o que nos leva a enfrentar medos, reconhecer vulnerabilidades e superar resistências?


Daí, o Propósito Elevado como um dos pilares do Capitalismo Consciente. Uma busca que vai além do lucro e das próprias paredes da organização.


E por que coragem para torná-lo público? Porque é muito mais seguro nos comprometermos com receitas, vendas e expansão de negócios do que com impactos sociais, econômicos e ambientais prósperos. O que nos torna grande nem sempre nos torna consciente, mas nos torna famoso. Há em nós um ego que por medo de falhar tem medo de assumir algo maior?


E por que humildade para torná-lo coletivo? Porque isso exige de nós assumirmos que colaborar não é a predisposição em ajudar o outro. Isso é humanidade. Colaborar significa termos a capacidade de mostrar nossos recursos e talentos mesmo antes de se fazerem necessários, e assim, criar potencial através da combinação dos meus com os seus. Há em nós um ego que por medo de não ser o suficiente prefere não pedir ajuda?



3. Jornada Protagonista do Eu e do Nós


E essa é uma Jornada que exige a consciência de que: se eu não me conheço, não acesso o meu valor e, não é somente a mim que estou privando de evoluir, mas também toda uma sociedade que precisa dessa potencialidade coletiva para dar seus saltos.


Por isso, não cuidar da minha autonomia física; do meu controle emocional; do meu desapego intelectual e da minha abundância espiritual não é somente sobre mim, mas sim, sobre nós.


REPRODUÇÃO


*Graziela Merlina - Idealizadora na @casamerlina / Conselheira no @capitalismoconscientebrasil / Fundadora da @ApoenaRH



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