Meu match com o Capitalismo Consciente

Atualizado: Mar 9


por Daniela Garcia*, 25 de fevereiro de 2021


Muita gente me pergunta como eu encontrei o Capitalismo Consciente. Na hora de responder eu sempre tenho a vontade de corrigir a pergunta dizendo que eu não o encontrei (mesmo porque não o procurava), mas só consegui percebê-lo porque estava preparada para achá-lo.


Capitalismo Consciente é caminho, jornada de ampliação de consciência, entendimento do impacto que sua empresa gera ao seu redor quando faz qualquer coisa.

O mundo entendeu Capitalismo até hoje como a forma de construir riqueza. Ponto. Mas a palavra consciência que foi incluída ao seu lado amplia tudo, muda tudo. Capitalismo Consciente é construção de riquezas com consciência, com propósito e amor, com o objetivo de diminuir desigualdades e ampliar os horizontes de quem faz a tal riqueza junto com a gente.


É seguir juntos, ganhando juntos.


Mas para responder a pergunta inicial preciso contar qual foi a jornada de consciência que eu precisei viver pra chegar até aqui.


Comecei no mundo do jornalismo, frenético de matérias todos os dias, pesquisas, tensão e fechamento de editoriais, fui para o universo da publicidade trabalhando para conquistar a melhor propagando do mundo, a que vendesse mais, custe o que custar... Me entreguei de corpo e alma para a internet, desde antes da bolha de 2000, e segui por um caminho cheio de projetos e marcas que despejavam na sociedade vontades, desejos, impulsos de compra, sedução e muito dinheiro em mídia. Foi uma escola e agradeço a cada minuto.


Mas como acontece quando você menos espera, muito trabalho, muitas horas ininterruptas e muitas metas mensais a serem alcançadas, me fizeram questionar onde eu ia parar e porque as coisas no mundo dos negócios não podiam ser mais suaves, humanas, amorosas...


Filhos mudam nosso olhar e, sem dúvida, os meus me ajudaram a observar tudo diferente. Faziam desde cedo questionamentos sobre discriminação de raça e gênero, o valor do tempo dedicado ao trabalho, formas diferentes de relacionamento com subordinados, e depois começaram com dúvidas sobre projetos de voluntariado, projetos sociais... Opa! Mil perguntas que me fizeram avaliar sob uma nova perspectiva os impactos que eu ajudava a gerar todos os dias na minha vida e na sociedade.


Quando fui demitida, assim como todo mundo que não tem plano B e nem nasce em berço de ouro, mergulhei numa busca frenética por respostas e hibernei num tempo de reflexões.

Sai alguns meses depois em busca de algo que me fizesse acordar cedo com vontade de trabalhar. Foi neste momento que encontrei o advocacy como atividade e entendi que através dele eu poderia entregar meu melhor: defender causas, fazer comunicação de projetos sociais, colaborar para reverberar o que a sociedade civil entrega através das ONGs.


Eu queria falar sobre saídas positivas, sobre diminuição de problemas, sobre humanidade.

Criei um negócio e decidi me oferecer para fazer comunicação para o terceiro setor. Abracei causas como inclusão de crianças com síndrome de down na sociedade, doação de sangue, e desperdício de alimentos. Escrevi, criei campanhas, falei e filmei muitas horas de trabalho pelas causas.


Foi olhando para o universo de ONGs no Brasil (cerca de 820 mil) que eu notei o quanto esse ecossistema precisava urgente de iniciativas fortes, promissoras e profissionais.

Hoje as ONGs hoje atuam resolvendo problemas que o governo e empresas não resolvem. Elas trabalham em atividades essenciais para transformar o Brasil num país mais inclusivo e generoso. É essencial colaborar para que elas ampliem sua esfera de atuação, e especialmente que se profissionalizem e possam entregar ainda mais valor à sociedade.

(para quem gosta do assunto sugiro assistir o Ted do Dan Palota... ele fala sobre filantropia e profissionalização no terceiro setor.. uma aula!... )


Eu queria trabalhar com isso. Eu precisava fazer alguma coisa para que o setor deixasse de ser assistencialista e passasse a oferecer reais possibilidades de negócios gerando impacto e diminuindo desigualdades.


Mais do que isso, a união de terceiro setor com negócios se tornou um objetivo pra mim. Onde eu poderia ver questões como impacto social, diminuição de desigualdades e generosidade de terceiro setor juntos?


E foi ai que eu conheci o Capitalismo Consciente... ele chegou perto de mim me ensinando que empresas que tem a consciência sobre seu impacto na sociedade são sempre melhores. Ser gerador de valor para quem está com você é ser generoso e criar um caminho de abundância.


Hoje, minha causa maior é essa. Pela consciência das empresas e dos atores deste universo de negócios. Falamos aos acionistas e investidores que tem o poder de escolher onde vão aportar suas reservas. Trabalhamos pelo acolhimento de todas as companhias que desejam curar e mudar a vida de tanta gente ao seu redor.


Somos instituto, conceito, movimento e metodologia. Somos educação em tempos de mudança. Somos a paixão em acompanhar o que um trabalho bem feito pode fazer para mudar o mundo todos os dias, a cada novo negócio que surge, a cada produto vendido e cada stakeholder feliz.


Em tempos de aplicativos, o match nem sempre significa um final feliz. No meu caso, encontrar o CC me deu a oportunidade de colocar mais amor e humanidade no trabalho, reforçar a teoria de que em algum momento da vida achamos nosso propósito e finalmente compreender como deixar um legado positivo por onde passo.


Vale para mim, e vale para todos empreendedores e empresários a frente de empresas realmente orientadas a deixar um bem maior para a sociedade.


*Daniela Garcia é, Diretora de Operações e Associações do Instituto Capitalismo Consciente Brasil (ICCB).



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