Diversidade: desafios e reflexões


por Daniela Garcia* para o Instituto Capitalismo Consciente Brasil


Alguns dias atrás durante uma reunião de curadoria de conteúdo com a equipe, nos questionamos acerca da Diversidade em nossos eventos e conteúdos e como poderíamos ser o mais transparentes possível com essa questão.


Pelos menos uma dezena de ideias nos surgiram e todas esbarravam na questão inicial: como mostrar a amplitude da Diversidade e não somente aquilo que julgamos ser mais fácil e aparente?


Não sou especialista no assunto e, por isso, mergulhamos em pesquisa para construir raciocínios e saídas. Admiro profundamente que vem fazendo deste tema um aprendizado e um eco na sociedade.


Em nossa reunião, observamos que a maioria das ocasiões apresenta a camada externa da Diversidade, ou seja, aquilo que já se fala e mostra há tempos, como diversidade de gênero, raça e necessidades especiais. Pouco se trabalha com outras diversidades que estão no nosso entorno. Diversidades essas que não são tão aparentes. Essa diversidade reclusa, escondida é a mais complexa de lidar e especialmente de apresentar em conteúdos e eventos, pois se revela em tabus e assuntos que não são tratados ainda com neutralidade.


As questões de orientação sexual, diversidade cognitiva, cultural e de crenças religiosas dificilmente estão expostas. Nem todo mundo se apresenta com esses títulos, sem falar nas diferenças ligadas à idade e classe social distintas que são igualmente importantes por estarem o tempo todo perto de nós, mas que não eram entendidas como diversidade.

Fato é que todas as diferenças precisam ser tratadas de forma equânime, com transparência e muito afeto. Não há receita melhor do que um olhar sem julgamentos e o acolhimento a qualquer questão do próximo.


Ouvindo alguns executivos e mentores, ainda na mesma semana, pude levar à equipe ainda mais contribuições sobre os inúmeros benefícios de se ter um olhar atento e abertura para lidar com a diversidade.


Podemos elencar três grandes benefícios para as empresas promoverem a diversidade em seus ambientes de trabalho: ampliação da criatividade; aumento da capacidade de inovação e redução de conflitos.


Quanto mais olhares e experiências diversas, mais rico o ambiente e a cultura organizacional se tornam.


Essa mistura, esse espaço de riqueza cultural e de experiências, traz mais relacionamentos sinceros entre os colaboradores, ambiente seguro para expressar quem realmente somos e, logicamente, no longo prazo, melhoria da reputação da empresa com resultados operacionais significativos.


O líder consciente é aquele que abraça a diversidade entendendo que toda a forma de expressão e de acolhimento vale a pena. Vale, porque contar com pessoas diversas é ampliar conhecimento e acolher novas formas e pensamentos.


Além disso, uma liderança consciente cria equipes, metas e métricas orientadas para entender o que de melhor a diversidade pode entregar ao ambiente de trabalho.

Em nossos eventos, cada vez mais procuramos incluir e trabalhar de forma a apresentar essa diversidade: cognitiva, de experiências, idade e gêneros; mas infelizmente nem sempre é possível. Algumas diferenças não são passíveis de serem expostas, até mesmo por uma questão de gentileza. Ninguém comunicará num evento que convidou tal pessoa por ela ser de uma ou outra religião, ou ainda pela sua orientação sexual, e pior seria pela diferença de idade ou padrão social.


Neste momento de atenção à Diversidade, vale também bom senso e gentileza, que devem ser preservados a quem estendemos nossos convites e participação.


Importante dizer que nossa reunião foi muito além da definição e explicação sobre diversidade; mergulhamos fundo em nossas agendas, conhecimentos e conhecidos buscando representantes de todas as diferenças. Nos pautamos para selecionar sempre uma maior riqueza de participantes, realmente diversa; e nos comprometemos a evidenciar cada vez, com mais carinho, cada pessoa que esteja conosco e que chegue nos contanto algo que desconhecemos e precisamos aprender.


Numa floresta de cem mil árvores não existe uma única folha igual a outra. Existem folhas semelhantes, mas iguais não há. Numa nevasca existem flocos de neve semelhantes, mas iguais não há. A grande sabedoria do universo é a diferença. Na diferença nos aprendemos e, não na igualdade.


Atuar na Diversidade é urgente e é, também, consciente. Amplie seus horizontes, mergulhe mais profundo no que é diferente.


*Daniela Garcia é, Diretora de Operações e Associações do Instituto Capitalismo Consciente Brasil (ICCB).


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